BOLA PRA FRENTE!

By 27 de junho de 2017 abril 8th, 2019 #SopaDePai

Nunca fui bom de bola. Tinha um certo medo. Acho que foi por causa da bolada na cara que tomei aos 5 anos e o professor me fez “engolir o choro”, porque futebol era coisa de “homem”. Mas o fato é que nunca gostei. Ia ao estádio e torcia pelo mesmo time do meu pai, porque as transferências amorosas são assim. Ninguém tirava da minha cabeça que chutar com as duas pernas (ao mesmo tempo) era mais lógico para que o chute saísse com mais força. Tentava na escola, no clube, no sítio. Caía, claro. As pessoas riam, ninguém me escolhia. Cresci sabendo que não era bom, mesmo, mas a minha ideia era sensacional (e ninguém havia tentado!). 

Enrique “torce” para o mesmo time que eu. História velha. Gosta de me perguntar coisas sobre futebol. Tem se interessado, pois seus amigos da praia só pensam em jogar bola. Confesso que a ditadura da bola me deixa um pouco raivoso, pois é tão importante ampliar o repertório de jogos e brincadeiras… Não queria que ele ficasse fissurado em jogar futebol e deixasse de lado seus brinquedos e fantasia!  

Fomos à praia. Ele estava com seus amigos. Cinco deles. Sempre vamos juntos à praia, nadamos, brincam de pega-pega, fazem castelos… mas a bola chegou. Assim que pisamos na areia, viram um campinho montado por outras crianças e dois pais. Todos, menos o Enrique, correram para entrar, de bicão mesmo, no jogo. Ele me olhou com um olhar meio decepcionado (levou brinquedos, pás, tratores, caminhões para brincar) e decidiu acompanhar a correria. O jogo começa. Ninguém toca pra ele. Eu, de longe, xingava o nobre esporte. Gabi, minha esposa, tentava me controlar. “Calma, ele tem de passar por isso! Faz parte”. Enfim, a bola caiu em seus pés. Depois de meia hora de correria, alguém “tocou” pra ele. E o Enrique não duvidou: olhou pra frente, concentrou-se e, inspirado pela herança do pai, chutou com os dois pés. Caiu. Eu me levantei sabendo do que viria a seguir. Ele também se levantou. Olhou pra mim com um olhar cúmplice. Perguntei se estava tudo bem. Claro, papai! Queria que a bola fosse mais rápido! Segue o jogo! 

#SopaDePai #🔵🔵🔵 

Marcelo Cunha Bueno é educador há mais de 20 anos, inspirado pelo chão da Escola, especialista em desenvolvimento infantil. 

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